© Gabriela Ruivo Trindade

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Wednesday, 4 October 2017

Miúda Children's Books in Portuguese

Lembram-se da Miúda? A livraria online sediada em Londres, especializada em livros infantis em língua portuguesa? Pois a livraria passou por um processo de transição e conta agora com uma nova directora. Adivinhem quem? Eu mesma.

Recordo aqui o texto que escrevi sobre a Miúda há já algum tempo:

Em Londres, a comunidade portuguesa já soma para cima de 30 000 habitantes. Uma das grandes preocupações de quem emigra, no caso de ter crianças, é a adaptação à nova língua e as possíveis consequências para a aprendizagem e o progresso escolar. Isto numa primeira fase, antes mesmo de apanhar o avião. Porque, uma vez chegados, instalados, e as crianças na escola, rapidamente nos apercebemos de que não é essa a grande preocupação, uma vez que, regra geral, as crianças têm um poder de assimilação de uma nova língua incrível. A dor de cabeça passa, assim, a ser outra: a preservação da língua materna. Os miúdos ficam completamente submergidos num meio onde a língua inglesa é predominante. Rapidamente deixam de falar português fluentemente, apesar de nunca perderem a compreensão do idioma, e isto se nós continuarmos a falar em português com eles, porque caso contrário mesmo essa capacidade enferrujará com os anos. A língua é de facto uma ferramenta como outra qualquer: a falta de uso traz a inevitável oxidação e a consequente inutilidade.

Posto isto, uma vez confrontados com esta realidade, a nossa constante preocupação de pais é que as crianças não percam, ou percam o menos possível, o contacto com a sua própria língua. Neste aspecto, os livros representam, sem dúvida, um meio privilegiado e particularmente rico. Foi a pensar nisto que Carla Cruz, uma portuguesa a viver em Londres, mãe de crianças pequenas, meteu mãos à obra e abriu uma livraria online onde se podem encomendar livros de língua portuguesa para crianças a partir do Reino Unido. A ideia é bestial, já que permite aceder aos livros publicados em Portugal a preços razoáveis. A livraria chama-se Miúda Children's Books in Portuguese e pode ser visitada aqui:

http://www.miudabooks.co.uk/

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Resta dizer que a livraria mantém o espírito e os objectivos. Esperamos a sua visita!

Thursday, 6 April 2017

"Mexeu com uma, mexeu com todas"

O caso de assédio da Globo retrata bem, mas tão bem as dinâmicas em jogo em casos de assédio que parece ter acontecido para nos dar uma lição.
"Não, o cara não representa ameaça."
"É alguém que a gente conhece."
"Não fez por mal, foi uma brincadeira."
etc, etc, etc
Frases típicas saídas da boca de homens (e também de algumas mulheres). Pessoas que se solidarizam com o agressor porque o conhecem, é boa pessoa, e acham que este não seria capaz de fazer realmente mal a alguém.
Pois esse é o problema. A nossa incapacidade de reconhecer que as boas pessoas (aqueles que a gente considera como tal) são capazes de actos condenáveis. Todos nós, aliás.
As frases acima também demonstram a tentativa de minimizar esses actos. Afinal, uns piropos, que mal tem? Se não gostas de ouvir, ignora! Pôs a mão na perna, no braço, no peito, na vagina? Ah, releva! Não deixou marca, pois não?
Pois que fique bem claro: deixou, sim. Deixa marca sempre. TUDO: os olhares, os piropos, as mãos e outras partes do corpo, deixam sempre marca. Na alma, que é onde a marca fica para sempre (as do corpo geralmente desaparecem com o tempo).
Eu tendo a achar que homens e mulheres não diferem tanto assim: em inteligência, em sensibilidade, em capacidade de discernimento. Mas há uma categoria em que divergimos, sim, e esta é a experiência de vida. A socialização. No caso concreto do assédio, a exposição ao mesmo é largamente um problema das mulheres. É claro que também há mulheres que assediam homens, mas o assédio está claramente associado a uma relação de poder e, convenhamos, o número de mulheres em cargos de poder é muito menor do que o de homens. Por isso, se reuníssemos cem homens numa sala, acredito que alguns deles tivessem passado pela experiência de terem sido assediados (por mulheres ou por homens). Mas se reunirmos cem mulheres numa sala, sabe quantas terão histórias de assédio para contar? Quantas? Eu arrisco dizer que, com toda a certeza, as cem terão.
E começa muito cedo: há aquelas que o são em casa, às mãos de pais, ou irmãos mais velhos, ou tios, ou avôs (atenção que também podem ser as mães, irmãs mais velhas, tias, avós. Há casos de mulheres agressoras, mas os números são muito menores). Para essas,  começa cedo de mais. Para as outras, assim que o corpo toma formas, por volta dos 11, 12, 13 anos. Na rua, olhares de lado, assobios, frases ditas ao ouvido, às vezes mãos que nos tocam o corpo. No autocarro, no metro, tipos que se encostam, nos apalpam, quase sempre no meio das enchentes na hora de ponta. É assim que começa e não vai parar nunca. Todas nós sabemos o que é isso, porque tivemos, muito novinhas, de desenvolver uma espécie de armadura, de carapaça para nos protegermos, uma espécie de insensibilidade, que nos permitisse não nos sentirmos demasiado tocadas por este tipo de agressão; que nos permitisse conservar a auto-estima ao abrigo destes "arranhões e pequenos cortes". O que quer dizer que precisámos de ignorar a dor, a humilhação e a revolta que tais actos nos provocaram. Tenho a certeza de que não há uma única mulher no mundo que não tenha, pelo menos, uma história de assédio para contar. E é por isso que estamos fartas. É por isso que precisamos de dizer, a uma voz: deixa marca sim. Magoa sim. Enoja. Humilha. E chega. Chega de assédio. Mexeu com uma, mexeu com todas.

#ChegaDeAssédio
#MexeuComUmaMexeuComTodas

Wednesday, 22 February 2017

Fados Nunca Dantes Navegados


O projecto Fados Nunca Dantes Navegados, em co-autoria com a Sandra Marques, e que reúne fotografia e ficção narrativa, foi publicado em parte da Revista Egoísta de Dezembro e encontra-se agora disponível online, na íntegra. Aceda ao site clicando aqui: https://gabrielaruivo1.wixsite.com/fados